Posts marcados na categoria textos

07 out, 2012

Such a huge ego

“Não sei por que achei que isso daria certo um dia.”

É assim que eu penso, enquanto o observo lamber os dedos cheios de gordura, cheddar e catchup, no Burguer King, depois de enfiar uma combinação quase mortal de fritas com bacon na boca.

Deixo meus olhos rolarem para algum lado que não seja em sua direção, pensando no que eu estava pensando quando disse que aceitaria namorar com ele.

Afinal, nós não combinamos em nada. Ele curte sertanejo, eu curto pop rock. Eu estudo Publicidade, ele estuda Educação Física. Eu sou designer, ele é personal trainer. Ele usa Nike Shox, eu uso All Star. Eu amo musicais, o único musical que ele conhece é O Rei Leão (VHS). Eu sou geek, e ele… Eu sou metódica e amo minhas coisas bem organizadas. Já ele… Bem… Ele é ele.

Ele é do tipo que se preocupa com a marca da cueca, enquanto eu me preocupo com o processador do meu laptop. A qualquer momento, se passamos em frente algum vidro, ele para para ver se seu topete está no lugar. Suas unhas e suas sobrancelhas são bem-feitas. Seu telefone é de última geração.

Bufo, voltando a olhar para ele, vendo que tem uma enorme mancha de catchup em sua bochecha.

Não consigo não sorrir, levando o guardanapo até ela e limpando-a. Ele sorri de volta.

Apesar das enormes diferenças, a cada vez que eu penso que estou no lugar errado…

Eu vejo que nunca deveria sair daqui.

14 jun, 2012

I might get you one day

Não quero um amor. A palavra amor tem perdido o sentido há muito tempo. Tempo demais pra que eu tenha até mesmo noção do que seria isto.

Só quero alguém. Alguém que não precise gostar de tudo que eu gosto, mas que respeite meus gostos. Alguém que me agrade, que seja educado comigo, que me respeite. Alguém que só de olhar saiba como eu estou. Alguém que prefira ficar em casa assistindo filme e comendo pipoca, do que ir à baladas.

Quero alguém que saiba que eu detesto chocolate branco, ou qualquer tipo de comida ruim para mim. Alguém que saiba que eu gosto de morder orelhas, cheirar pescoço…

Quero alguém que goste de me escutar cantando, de me ver dançando. Alguém que goste de cantar, goste de cócegas.

Quero alguém que me surpreenda. Alguém que chegue de repente, deixando-me enebriada de um sentimento que eu nunca vivenciei.

Quero alguém que seja verdadeiro comigo, que não tenha vergonha de andar de mãos dadas. Alguém que valha a pena esperar.

Alguém que me ache bonita. E que valorize isto.

29 out, 2011

I like the way it hurts.

É. Isso dói.De sapatilha nos pés, mãos na barra e olhos no espelho, ela começou seu aquecimento daquela tarde de terça-feira ensolarada em Stalybridge. Não que estivesse calor. Nunca estava. Já era quase o fim do verão, então o clima estava ameno.

De repente ela escutou burburinhos na rua, o que a fez pular para a janela em questão de segundos.

Um par de olhos azuis a observavam atentamente do outro lado da rua. Uma sensação estranha corria por seu estômago, deixando-a entorpecida, o que a fez sair da posição de ponta, para seus pés totalmente no chão. Sua respiração estava entrecortada, e ela podia escutá-la ruidosa, como se ecoasse pela sala vazia.

Por um momento ela jurou que podia escutar outros batimentos cardíacos, ritmados aos seus, que não tinham compasso algum. Aqueles olhos ainda a perturbavam, como se não fossem embora nunca. Ela via um espectro de luz dourada e translúcida em volta do garoto, o que dava mais ênfase ainda no azul de seus olhos.

Mas o momento não durou mais que cinco segundos; Cinco longos segundos até que o garoto que a observava atentamente entrasse na casa do outro lado da rua, e sumisse na escuridão dela, que fora recém comprada.

Os burburinhos cessaram assim que o caminhão de mudança deixou a rua. O que deixou a ainda mais intrigada. Porém ela não conseguia mover-se dali; Suas sapatilhas de ponta estavam cravadas no chão, como se tivesse pregos nela.

– Bom dia! – sua professora entrou na sala, mal reparando na garota, que continuava encostada à janela. – Já se aqueceu?

– Um pouco – despertou-se do transe.

– Que ótimo. Podemos começar, então. Trouxe algumas músicas novas que você vai gostar!

Então a garota balançou a cabeça em forma de agradecimento e se redirecionou às barras, começando mais um dia de aula.

Adivinhem quem vou me apresentar no Teatro Municipal de Mauá em dezembro? *_________*

03 jul, 2011

One by one, dreams are gone

Quem disser que nunca teve um sonho está mentindo. Todos sabemos que o ser humano é capaz de sonhar enquanto dorme. Inconscientemente já sonhamos com alguma coisa, mesmo que seja completamente impossível de acontecer, desde quando estávamoms no útero de nossas mães.

Diferentemente dos sonhos inconscientes, há aqueles que temos acordados. Sobre o que você sonha durante o banho? Qual é o sonho que mais arde em seu coração? Alcançar este tipo de sonho não é impossível, não que seja fácil; Nada é. Mas você já parou para pensar que cursar uma faculdade já foi um sonho? Hoje é uma realidade.

O ser humano já cresce sonhador, é inevitável. E como já dizia John Lennon “Você pode me chamar de sonhador, mas eu não sou o único.”

Texto curto feito para a última aula de Voz e Comunicação, lá na Universidade.
Se o professor soubesse do Outtamind, ia ver como esse texto tem a ver comigo, mesmo, né? xD

13 mar, 2011

Once upon a dream

Parece que estou sonhando pela primeira vez…
É tudo tão real! Tão límpido! Consigo até sentir o perfume do bolo de chocolate sobre a mesa.
Várias crianças correm pela casa, até que uma esbarra em mim. Ela segura minhas pernas num abraço e levanta o rosto para sorrir para mim. Minhas bochechas enrubescem quando ela pergunta quem é a pessoa ao meu lado. Respondo meio envergonhada, gaguejando, que este é seu tio. Seu titio, como ela sempre chamara.
Seu sorriso ultrapassa a linha dos olhos, atravessando de orelha à orelha. Ela sempre quis conhecê-lo.
– Gostei dele, tia! – E então ela abraça uma perna minha com uma perna dele, arrancando-lhe uma gargalhada alta e gostosa de se escutar. Não pude deixar de rir, embora esteja muito mais nervosa do que já estivera.
– E este é seu presente – Entrego-lhe um embrulho grande, retangular, e meio pesado. Ela sorri e o carrega com certa dificuldade até perto dos outros presentes, onde minha irmã está a esperando, olhando-me com curiosidade. E orgulho também. Apesar de eu tê-la visto mais cedo.
Continuamos caminhando pela casa, distribuindo sorrisos até chegar à cozinha, onde meus pais e o restante da minha família estão. Não sabendo se está calor ou se minhas bochechas estão ardendo em fogo, andamos até perto da mesa, perto de meus pais.
Minha mãe morde o lábio, que eu vejo trepidar, antes de me dar um abraço apertado. Meu pai tem lágrimas nos olhos, relutante a não deixá-las cair dali.
– Então você veio…
– Eu disse que viria, mamãe – Olho para os sapatos e sigo até minha mão direita, que tem os dedos entrelaçados fortemente aos dele, como se ele pudesse tentar sair dali, e eu o impediria.
– Prazer em conhecê-los. Finalmente – Encaro seus olhos, que estão marejados assim como os de papai. Que o puxa para um abraço, soltando sua mão da minha.
Mamãe me olha da mesma forma que minha irmã e então eu sinto que fiz a escolha certa. Tudo o que vale a pena agora, valeu a pena o tempo todo. Eu estou feliz, completa, com minha família ali, e o grande amor de minha vida.
Meu querido puxa minha mão novamente e nós voltamos à sala, onde nossa sobrinha e seus amiguinhos continuam a correr incansavelmente. Sentamos-nos no sofá e eu apóio meu queixo em seu ombro, passando a ponta do nariz por sua orelha, sussurrando coisas amáveis, enquanto ele sorri; Da maneira que eu sempre amei.
– Como ela está grande… – Falo baixo o suficiente para que só ele escute.
– Dois anos só. Tem muito o que crescer – Sua voz soa tão bem em meus ouvidos… E ele me olha de forma tão profunda, que eu juro ficar tonta, antes de encostar seu nariz no meu, obrigando-me a inspirar muito mais de seu perfume do que é recomendado.
Minhas mãos têm instintos próprios para sentir a textura de sua pele correr sob meus dedos. A sensação é tão incrível que eu poderia ficar ali por horas, ignorando o mundo ao nosso redor. Elas correm por seu queixo, bochecha, até chegar em seus cabelos. Uma delas passa para sua nuca, enquanto a outra fica acariciando as bordas de seus lábios. Sinto-me vazia sem eles nos meus. E logo acabo com aquela sensação.
Porém logo que abro os olhos vejo que o sonho acabou. O pior sentimento é saber que tudo não passa de um sonho, mas, mesmo assim, não querer acordar.
De qualquer forma, com muita relutância, levanto para mais um dia. Um dia normal. Até demais.

Não consigo mais encarar o OuttaMind como um diário pessoal – até porque os intervalos entre os posts são enormes – , mas sim como um diário de meus devaneios. Espero que vocês não fiquem decepcionados.